Como é triste observar que muitos pensam que ser grato é, ser subserviente, humilde, inferior, não ter personalidade.
A gratidão é um sentimento que nasce com a educação e a compreensão. É uma fase inicial de nossa existência, que aprendemos a respeitar o próximo e a reconhecer nossas limitações e carências.
Já a ingratidão é a falta de bom senso, de visão, de sabedoria e de humildade. O ingrato não vê o que os outros vêm e nem sente o que os outros sentem, não porque não quer, mas por incapacidade e fraqueza moral. O ingrato é incapaz de se submeter a sua consciência.
O mais adequado sinônimo de ingratidão é egoísmo. O ingrato vive num mundo particular, subjugado por seus interesses pessoais. Às vezes é até uma pessoa simpática e tem facilidade de fazer amizades e convencer outras pessoas, mas tendo sempre como pano de fundo o interesse pessoal. O ingrato é quase sempre de má índole, egocêntrico.
‘‘Ele pensa que é o rei da cocada preta’’. E se essa ingratidão ocorre no meio político, o que dizer do ingrato quando assumir o poder. Na política a palavra chave é ‘‘coerência e gratidão’’.
Quem não conseguir conciliar estas duas palavras, por certo terá uma vida política meteórica, sem continuidade, pois a mascara cairá rapidamente.
E nesta eleição estamos assistindo casos típicos de ingratidão. O ingrato não consegue enxergar os seus defeitos e prefere apontar os defeitos dos outros, inclusive defeitos que não existem, como é o caso da ‘‘compra do maquinário’’.
Não é capaz de reconhecer que nem bem entrou na política e já está as voltas com a justiça, vendo recusada sua prestação de contas da última campanha.
Aliás, sobre o alegado ‘‘episódio do maquinário’’, que eu o conheço de perto, posso asseverar que não há qualquer irregularidade dolosa, principalmente quanto à compra das máquinas.
O governo, foi induzido a erro ao aceitar o resultado de uma auditoria, a meu ver totalmente equivocada, que partiu de uma premissa errada e, consequentemente, chegou a uma conclusão errada.
Bastaria ouvir o pregoeiro, ou ver as imagens (fita) do pregão, que tudo estaria esclarecido. O valor do lance presencial ofertado pelos concorrentes foi o valor líquido, já deduzido o ICMS, o que aliás foi e é assim em todos os pregões do Estado, pois as compras/vendas são isentas de ICMS.
A proposta escrita sim alberga os valores bruto e líquido, mas o valor que o pregoeiro lança na tela para iniciar o pregão é o valor líquido, e a partir daí são dados os lances, mas sempre pelo valor líquido. Ao final, o vencedor terá que emitir a nota fiscal, constando a redução do ICMS, mas o fará de forma indutiva, partindo do preço líquido vencedor, valor que irá receber do Estado, para encontrar o preço bruto, e não de forma dedutiva, como concluiu, erroneamente, a auditoria.
Mesmo quem emitiu nota fiscal constando apenas o valor líquido fazendo a observação ‘‘isento de ICMS’’ cometeu apenas um erro sanável, que Jamais poderá ser confundido com dolo ou má-fé.
E o erro continuou, pois, para dar aspecto de legalidade à cobrança do ICMS, a SEFAZ editou um decreto com efeito retroativo, o que é ilegal, mas isto será um problema para a justiça resolver.
É lamentável que o governo foi induzido a erro, e criou um problema onde não existe, e agora tem que dar explicações que poderiam ser evitadas.
Voltando à ingratidão, podemos concluir que o ingrato sempre se acha a ‘‘última azeitona do prato’’, porém, não raro, vemos que a última azeitona fica abandonada no prato, pois ninguém se arrisca a pegá-la.
Se você, eleitor, identificou algum candidato com este perfil, pense bem, antes de pegar a ‘‘última azeitona’’.
*Otacílio Peron é advogado da CDL e FCDL